Figurantes.
21/01/2011
Lamm B. Sgóia era linda. Nasceu em um país da Europa cidental. Um daqueles países que exportam loiras esculturais, morenas exóticas e caviar beluga. Um daqueles países que importam criminosos da lista da Interpol e as forças de paz da ONU.
Lamm, linda como era, uma mistura étnica que pegava emprestados genes russos, sérvios, árabes, voluptuosos, suculentos e sedutores. Um metro e oitenta de curvas Tamburello, onde qualquer homem perderia seus freios. Talvez a vida.
Sua história começou em um vilarejo remoto, assolado pela guerra. Foi uma infância sofrida. Mas nada disso importa. Devido a várias reviravoltas em seu destino, foi contratada por um super chefão do crime. Um daqueles tipos genéricos, latinos de terno branco, tailor made, tão brancos que suspeito serem usados para se camuflar com a cocaína que produzem. Daqueles que vivem em mansões tão grandiosas, que as tomadas de câmera panorâmica dos filmes de Hollywood mostram apenas o jardim de entrada. O tipo sem nacionalidade específica, mas que grita em espanhol quando se irrita, chama seus capangas (todas as centenas de capangas, também genéricos, Jorges, Juans, Ramons, Pedros e afins) de ‘Hombre!’ e o mocinho do filme, ‘Cabrón!’. Um vilão, um druglord, que sempre tem uma piscina enorme, cercada de pilastras do mais branco mármore, assim como o terno. Piscina na qual eles parecem nunca entrar, mas mesmo assim estão cheias de mulheres maravilhosas, com ou sem minúsculos biquínis. Entendeu onde quero chegar?
As referências cinematográficas foram apenas para melhor apreciação do enredo de nosso conto, mas a situação acerca de nossa heroína é real. Doce e nada inocente Sgóia, servia de concubina no harém de um desses super criminosos. Passava seus dias forçando risos quando seu patrão contava piadas que não faziam sentido, debruçava seminua sobre seu ombro, durante vídeo conferências com outros traficantes influentes. Passava horas na piscina, tomando martinis, enquanto seu empregador brigava com agentes americanos que deixavam de fazer juz aos seus subornos. Desnecessário dizer, também participava de orgias regadas a drogas, que duravam a noite toda. Ou vocês acharam que todas aquelas mulheres estão lá apenas por motivos de decoração?
Um belo dia, Lamm B. Sgóia adoeceu. Passou a manhã e a tarde em uma clínica particular, financiada pelo fino pó branco que custeia metade dos empreendimentos na América Espanhola. Quando voltava para a descomunal mansão, se deparou com uma cena que todos já vimos no sábado à tarde, ta telinha da TV. A devastação causada por um americano patriota, com tantos músculos que é difícil acreditar que ele tem tempo de sair da academia para derrubar uma conspiração do mal. Mas foi o que ele fez, deixando nossa pobre, nada inocente e ligeiramente febril Lamm, desempregada.
Fica a dúvida. Pra onde vão todas as mocinhas de beira de piscina, uma vez que seus chefes são presos/assassinados/explodidos/traídos/esfaqueados? O que colocarão em seus currículos?
Hmmm… Perguntas, perguntas.
21/01/2011 at 10:01 pm
Hahahaha, cara, como você inicia este tipo de ideia?
Nunca antes na história desde país, quiçá do mundo, houve um questionamento deste tipo!!!
JÊNEL, com todas as letras.
21/01/2011 at 10:10 pm
Naaaaah. Nao é pra tanto. Mas valeu. Tentarei achar mais questionamentos divertidos.
22/01/2011 at 3:23 pm
Quero mais! curti pacas!