Zefirino, o bem-aventurado
06/05/2010
Texto por: Leonardo Rodrigues, o meu parente.
Acordei um dia de ressaca. Não me lembrava de muita coisa da noite anterior. Me levantei capengando e fui ao banheiro. Na hora de peidar…
O odor subiu. Eu já esperava aquele futum característico, mas fui traído por meu organismo: o cheiro era bom. Flores do campo.
Voltei correndo para o quarto e gritei a plenos pulmões:
- Manhêêêêêêêêêêê! Vem cá!
- Tô indo, Zefirino.
- Põe o nariz na minha bunda.
- Quê isso, menino? Tá fumando droga, é?
- Põe o nariz aí na minha bunda. Anda logo, mãe!
Ela botou. Na hora, soltei mais uma bufa. Ela já ia começar a xingar, quando…
- Mas quê que é isso, menino? Seu peido tem cheiro bom? Cruuuuzes…
A notícia se espalhou pela vizinhança. Começou pelas velhas chatas fofoqueiras, que vinham me ver peidar. A cada peido, a constatação do odor, e uma salva de palmas eufórica.
Passou pelo comércio. Quando dei por mim, eu só ficava em casa, peidando. Comia batata doce e ovo o dia inteiro. O comentário era geral:
- Gente… Cês ficaram sabendo do menino da casa azul?
- Fiquei, menina… Será que é verdade?
- Não sei, mas alguém tem que conferir…
Na dúvida, todos iam. E eu ia fazendo minha fama. Andava pela rua e o povo me saudava:
- Cu de flor! Parabéns pelo talento, hein?
- Obrigado, obrigado.
Logo, começaram a fazer romarias até minha casa. Pediam milagres pra mim. Queriam me fazer fio terra. Aquilo já tava se tornando muito chato, eu precisava fazer algo.
Até que um dia, me telefonaram:
- Alô, cu de rosa?
- Cu de fl… ZEFIRINO, PORRA!
- Perdão. Aqui é da produção do Domingo Legal. Querem uma matéria ao vivo com você.
O cachê era alto. Ganhar dinheiro para peidar? Excelente! Voltei a me empolgar com a história.
E no domingo, lá estava eu, no palco do Domingo Legal, com o Gugu me servindo batata doce com ovo. E logo começou a peidarada.
A euforia era geral. No domingo seguinte, a Globo já tinha dobrado meu cachê e me levado para o Faustão. Eu era a sensação do Brasil. Queriam mandar um projeto de canonização da minha pessoa para o Vaticano. Eu era o milagre e o milagreiro.
Até que se cansaram.
Aquilo já não era novidade. A peregrinação não era fácil para todos. E logo as visitas foram se escasseando.
Entrei em depressão profunda. A fama havia me consumido. Passei cinco anos trancado no quarto, bebendo, enchendo a cara. A cada peido, uma lembrança, uma lágrima. Foi aí que mamãe decidiu me ajudar.
Chamou um psicólogo, que vinha diariamente conversar comigo. Contei a ele todas as aventuras e desventuras que tive como cu de flor. De sessão em sessão, eu sentia que ia esquecendo daquilo. E logo voltei ao normal.
Hoje trabalho como desodorizador de ar dos banheiros masculinos de uma empresa de desenvolvimento de sistemas. Meu apelido mudou para fotossíntese. Arrumei vários amigos. E me tornei anônimo de novo.
Mas o que eu queria mesmo era poder sentir novamente o fedor de meu peido.
06/05/2010 at 7:17 pm
HAUIhauhauhauhauhuahahuahua
Adorei!!!
07/05/2010 at 2:23 pm
e eu achava que conhecia gente retardada e sem o que fazer no mundo!
10/05/2010 at 9:26 pm
Jesuis [2]